Alguns cientistas acreditam que hidrogênio, por ser tão abundante, é o elemento básico do universo. Eu questiono este pensamento. Existe mais estupidez do que hidrogênio. Estupidez é o elemento básico do universo.
Frank Zappa  


eu li um livro, nele o amor não venceu;
eu vi mais um dia. eu vivi mais um dia, e, nele, o amor não venceu;

o amor não venceu os olhos amargurados daqueles que não amam e não são amados e destroem o amor com uma visão mais potente do que a do ciclope no x-men. o amor não venceu a falta de delicadeza gentileza e bondade daqueles que estão sempre ocupados demais com as suas vidas agitadas e vazias, corridas e finitas. o amor não venceu a risada sarcástica daqueles que não são capazes de ver felicidade nas coisas simples, nem nas coisas complexas, nem em coisa alguma ou em pessoa nenhuma, muito menos em si próprios. o amor não venceu a chuva fria, nem o sol forte, nem as lágrimas salgadas ou o sangue morno. 

o amor não vence nenhuma batalha. 

mas eu ainda acredito que o amor é a salvação pra esse mundo destruído, essas mentes que pensam demais em coisas de menos. acredito que o amor é a cura para esses corações que cismam em se fingirem de mortos. acredito que o amor pode ressuscitar olhos e almas. acredito que o amor é tudo que falta, muito ou pouco, em todo mundo. 

(o amor não vence batalhas porque ele não é de luta. o amor não entra forçado, só o tem quem é capaz de morrer por ele. só o tem quem é capaz de enxergá-lo, mesmo que ele seja invisível). 



No canto do canto eu canto o encanto sussurrando notas de amor, desejo, gemidos que levam o êxtase a um estado de overdose sensual. Lá, meu corpo pressionando o teu contra uma parede que, de tanta excitação, se torna macia e fina, como a pele de uma cama recém posta para o sono ou a cativa diversão noturna que envolve um árduo trabalho braçal e tem por escopo o gozo mútuo. São os sons que percorrem meu corpo que deixam o teu em um frenesi absoluto e tiram da inércia meus pensamento sórdidos, maliciosos que, postos em prática, desenham a silhueta do teu corpo com as mãos pares e pares de dias, meses e anos. A cena não é vista, pois as janelas estão fechadas, as cortinas lacradas e as luzes apagadas. No breu consumamos o ato, mas o desejo só se expande como um universo big bangnico e atinge proporções devidas que dão margem para uma segunda dança, dessa mais lenta e compromissada, onde um faz com o outro o que o pensamento deu voltas e voltas em torno de si aspirando realizar. O nu do nu no canto do canto faz o arrepio perambular de um corpo para o outro, com vibrações bilaterais que fazem elétrons se beijarem e protóns lançarem-se uns nos braços dos demais. Um gozo a mais que deixa os corpos deitados, olhando para a própria nudez e sentindo orgulho do ato mais belo do que todas as imagens que passaram pela insana mente jovial, mais suave que todos os sons que os ouvidos mentalizaram, mais leve que qualquer toque que a pele sentiu nos momentos que não resistiu e fez a carne urrar ao usufruir dos prazeres sexuais de maneira adolescente. Nos olhos se vê que o sono não chegou, mas o corpo precisa descansar. Só há energia para um beijo, um eu te amo e um abraçar. Piscam-se os olhos. Estão outra vez no canto do canto sussurrando notas de amor e desejo.
A.E.C Souza 


Morte

Apaixonou-se pela morte,
Desejou um corpo em plena necrose,
um corpo frio e funesto,
carne apodrecida pelo tempo,
cicatrizes rubras expostas ao próprio relento, a morte tem seu coração,
só não bate, 
e no amago de seu peito carrega um órgão inerte e pétreo,
tao frívolo diante da magnitude de tal espectro,
carrega tua foice, como um cupido carrega tua flecha,
cutelo cego que ceifa amores,
carrega na ponta, a anestesia das dores,
para queles que morrem de amor,
e para aqueles que o amor já se encarregou de matar,
minha amada e imortal,
sobrevivente do hecatombe mais fatal,
a amarei ate que ela mesmo ponha em mim um ponto final.


100confissoes.



eu sinto que esses prédios imensos vão me engolir, e que mais tarde eles vão ser engolidos por outros prédios bem maiores e assim por diante.
no ônibus, um bocado de gente que não se conhece se esfregando e se olhando. se olhando sem se olhar, e isso pode até ser amor. pra mim, é amor. o olho que não vê; só sente (porque os olhos sentem, em mim, tudo sente. em você é assim também?)
não me ache louca, meu amor - que eu não sei de quem se trata - só me ache. só me ache. e me olhe sem me olhar. me fale mentiras pra eu sonhar. segredos de liquidificador. qualquer coisa. qualquer coisa.
eu carrego um peso imenso de alguma coisa que eu ainda não sei o que é. uma dor de alguém de mil anos e mais mil de alma.
mas eu não tenho nem vinte.
nem posso cantar Andressa.
nem posso ser também.
você me escreveria uma música?
derrubaria prédios por mim?



me cercaram de sonhos que não são meus, de lamentos que não lamento e de desejos que não desejo. me contundiram, me acertaram em cheio e tive que permanecer calado.