eu nasci poeta
vou morrer poeta
sem ter sido poeta
Elisa Bartlett 


Crediário

Das raízes da desigualdade falsearam a liberdade,
Exportaram a mentira, importaram solidão,
Espalharam um boato: “acabou-se a escravidão”.
São ainda os primeiros cristãos, são santos sem nome,
São orixás, divindades, hereges com fome.
A mesma história disfarçada com requintes de futuro,
Dinheiro virtual, verdade virtual, felicidade virtual,
Mas eu passo e vejo um pedido de socorro pichado no muro. 
Pobres almas amordaçadas, falsos sonhos em promoção,
A arte maligna de jogar com arquétipos e criar novos mitos,
Acumulando milhas de ignorância e de ilusão,
Criando culpados, enchendo o vazio do homem com a cultura da ostentação,
Acumulando faturas, pagando duas vezes o mesmo circo e pão,
Pagando o pecado alheio no crediário.

- Transtorno Poético -



Poeta louco
transviado
via sempre luz
na escuridão
tinha olhos
esgueirados.

Elisa Bartlett  



animicida → Boa tarde, linda. ♥

Olá meu anjo, bom te ver ♥



haverão harpas e farpas na guerra interior, protejam-se soldados, a tempestade vai separar a essência da inocência
nós, no meio termo da vida, teremos que escolher sair de si ou entrar para o mundo
amadurecer é se tornar confuso



Passarela de gente é calçada

O vento é a da borboleta

Que sem impulso desfila soprada

Pela brisa soada

Dos quatros cantos do planeta

Sued Nunes



sou-palavra → boa tarde mon cher

boa tarde meu bem <3



Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.
Jack Kerouac


rabisco na margem da página 1

Desista, pois agora, de entender aquilo que tenho escrito ao longo de todos esses anos. Eis que minhas palavras não são confeitos para lhe adoçar os lábios ou belezas ortográficas para lhe encher os olhos, quanto menos o teu orgulho. Não tenho escrito para multidões, estou certo. Tudo isso aqui é só meu, faço questão. E por essa questão de vida ou morte, é que tenho perdido o sono nas madrugadas, que tenho deixado de ser prático e viver com a cabeça naquilo que é abstrato. São tantas coisas engasgadas que eu botei nessa prateleira e que com toda a certeza, não irão te agradar. Mas quem é que se importa se vai emprestar isso para a sua melhor amiga, que vá falar sobre o que eu escrevi na mesa de jantar com o pessoal da faculdade, que vai publicar na rede social a minha frase que mais te chamou atenção… Ninguém liga pra isso, principalmente eu. Por isso te peço, ainda nesta primeira página, para que não prossiga. Pegue isto e guarde na gaveta mais distante do guarda-roupa. Se lembrará, pois futuramente, que ali está o escritor das causas próprias.

Igor Casares.



Amo demais. Amo e amo até não sobrar mais espaço em mim. Preencho-me com teus risos, com tuas verdades, com teu jeito fácil de encarar vida. Você derruba os meus medos e abre caminho para uma vida à dois, vida que eu não imaginava ter. Estava certo que andaria sozinho pela estrada sem rumo, tendo a solidão como companhia. Você chegou me oferecendo destino, sugerindo rotas, segurando minha mão, e eu segui de olhos fechados confiante que me guiaria com cuidado. Digo que te amo, amo muito, pois o sol dos teus olhos trouxe-me um amanhecer repleto de felicidade.


TITLE: UnknownIt s Very Nice Pra Xuxu
ARTIST: Unknown Os Mutantes
PLAYS: Unknown507


Há um elo perdido em cada um de nós, alojado no estômago, correndo em nossas artérias, remexendo nossas hipóteses sobre a felicidade. Talvez esse elo seja a nossa própria existência à procura de algum sentido, talvez seja esse vazio abrindo espaço e se moldando ao formato correto. E no decorrer da vida, podemos achar a conexão certa, o encaixe perfeito, a palavra contida, esquecida. Pode ser aquela notícia do jornal de quinta, o disgnóstico da sua esquizofrenia, a visão do alto da praia de Trancoso, a pele molhada do seu corpo (no meu), a paranoia de Roberto Piva, a melodia de Jake, a cor do seu vestido, o vinho, a ferida sem cura, o ajuste de contas, o suco sobre o balcão, as janelas abertas, o céu encurvado sobre o planeta. Olhe para o espelho, reconheça o seu próprio elo perdido, alimente-o daquilo que te faz bem. Reencontre o fio da meada.
Elisa Bartlett.