Eu ainda me adapto.

Eu ainda acredito que andar na chuva é idiotice
Eu ainda acredito que um olhar não presta
Que o diálogo funciona, e que o povo tem futuro.

O que eu quero ver não está na minha cara.
O palco parece demorar eras para sentir o calor dos meus pés.
O linóleo é frio e parece cimento, mas eu ainda me adapto.

O que me dizem é uma repetição do meu pensamento.
Parece tão simples o mundo, mas ainda teimam em me explicar de outra maneira.
Eu já tenho minha interpretação.

Abro a porta e deixo os cacos do copo quebrado no Eu ainda me adapto.

Eu ainda acredito que andar na chuva é idiotice
Eu ainda acredito que um olhar não presta
Que o diálogo funciona, e que o povo tem futuro.

O que eu quero ver não está na minha cara.
O palco parece demorar eras para sentir o calor dos meus pés.
O linóleo é frio e parece cimento, mas eu ainda me adapto.

O que me dizem é uma repetição do meu pensamento.
Parece tão simples o mundo, mas ainda teimam em me explicar de outra maneira.
Eu já tenho minha interpretação.

Abro a porta e deixo os cacos do copo quebrado no capacho.
Ainda acho cheia de sentimento essa chuva.
Pés descalços pela rua molhada, leio naquela pedra suja.

Eu ainda me adapto..
Ainda acho cheia de sentimento essa chuva.
Pés descalços pela rua molhada, leio naquela pedra suja.

Eu ainda me adapto.

Descortinar 


O coração não se partiu
Muito menos se perdeu
Só está sozinho,
No vazio do meu corpo
Descortinar 


Se a minha poesia durasse,
falasse, pregasse
nas paredes do seu coração
o que quero que veja,
esteja, que seja
o que digo, ou não

Deixaria de existir a palavra
mais vaga, que a sala
de estar, não seria
algo que assombra,
ou sonha, que tu voltarás
outro dia.

Luiz Henrique, “vaga sala de estar”. 08/04/2014


Para mim a poesia é um sentimento.
Aperte o olhos, relaxe a miopia da vida e veja.
Ela paira em todo lugar,

no teu colo
nas tuas mãos
na calma da ilusão
na agonia da espera
no teu amplo silêncio
no teu choro de alegria
na agressividade do não
na batida forte do coração
na liberdade de Kurt Cobain
na aceitação da velha solidão
na doçura da flor de chocolate
na afetividade do velho escrivão
na respiração da frase que te toca
no apego aos teus livros e canções
no deslumbramento aos pés do Cristo
na beleza estonteante do garoto punk
no civismo melodramático dos sindicatos
na demência do assassino na hora do tiro
no abalo sísmico da torcida na hora do gol
na fuga desesperada daquilo que te acabou
na catalepsia da rotina que esmaga e paralisa
no domínio do amante te possuindo feito um cão
no dengo do terno e demorado abraço pela manhã
na cegueira de nossos governantes pobres de espírito
na disputa sã por um amor, uma flor, um amigo, um irmão
na consciência que o mundo está ruindo bem a nossa frente
no embaraço de uma declaração de amor de olhos brilhantes
na fragmentação da vida para no final encontrar o teu começo
na discórdia sem nexo do mundo diante da minha sexualidade
na dignidade do trabalhador as 4 da manhã na estação central
no espanto perante a guerra e a destruição de vidas humanas
no horror da miséria exacerbada pela dor e alcoolismo do pai
no idealismo estampado na bandeira política do teu partido
na histeria completa na chegada dos Beatles ao aeroporto
na derrota ao ver uma amigo ir embora pra todo o sempre
na espiritualidade de Chico Xavier, Buda e Salvador Dali
na descrença de estar vivo depois de se sentir um vazio
no dilema entre o desejo e a necessidade do dinheiro
na empatia vibrante da resposta que te faz pensar
no constrangimento do primeiro olhar apaixonado
na genialidade das palavras de Chico Buarque
no autismo perante a covardia e inexpressão
na carência pelo toque, pelo beijo, pela mão
na amargura do abandono e da decepção
no brilhantismo de um texto bem escrito
na tentação pelo errado e inaceitável
nas entrelinhas da prosa detalhada
na convicção infame da realidade
serial killer de nossos sonhos
na lágrima que não escolhe
na culpa de não estar lá
na tua pele cor de chá
na temperatura do ar
na saudade d’gente
em mim, em você
solta e imortal.

A poesia vive em cada um de nós.

Elisa Bartlett. 


Colhi flores mortas, pra decorar suas tardes de domingo.



Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome: auto-estima. Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. Hoje sei que isso é: autenticidade. Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de: amadurecimento. Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é: respeito. Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o Futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é: plenitude. Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é saber viver. Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas.
Charlie Chaplin.


ela

ela é poética,

calma e passiva.

além de tudo;

ela tem uma loucura

ímpar.



Somos um instante entre dois passos, mas esse instante contém todas as possibilidades do mundo.
Alusões Kafkanianas, Elisa Bartlett.   


Alguns cientistas acreditam que hidrogênio, por ser tão abundante, é o elemento básico do universo. Eu questiono este pensamento. Existe mais estupidez do que hidrogênio. Estupidez é o elemento básico do universo.
Frank Zappa